Verão de 68. Fim de férias.
Como a anunciar também o término da temporada de veraneio, o mar da praia do Farol de São Tomé amanhecia por aqueles dias de ressaca.
A ânsia de saborear os últimos momentos de folga fazia com que cedo pulássemos da cama e dirigíssemos para o banho matinal na esperança de que o “gigante” houvesse se acalmado.
Mas, qual! Lá estava ele imperioso a levantar perante nossos olhos uma enorme cortina de ondas bravias.
Eu ,irmãs e primas não desanimávamos. Postávamos frente à “majestade” até que ele se acalmasse e pudéssemos “furar” uma onda, “pegar um jacaré” e deslizando nossos corpos íamos até a areia ao encontro das pernas dos adultos.
Vez por outra – lembro-me – havia a invasão das águas do rio Andreza que trazia “sujeira” de plantas nativas e o enfrentamento se tornava mais difícil.
Mesmo assim nada nos impedia de gostar daquela aventura
Eram quase duas horas diárias onde travávamos uma luta incessante. Cansaço, inocência, alegria, prazer e irreverência eram as armas usadas em nossas bravatas juvenis naqueles fevereiros inesquecíveis..
Perante as notícias veiculadas nos jornais, revistas e tevês, vejo um MAR de ressaca que se agiganta perante aos olhos de nós, brasileiros.



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